sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Origami de Tsuru e a Lenda

TSURU É A AVE SAGRADA DO JAPÃO, A GARÇA.


Lenda do Tsuru

Era uma vez um camponês muito pobre. Vivia em uma cabana tosca e seu único alimento eram algumas verduras que colhia de sua terra cansada
Um dia, ele encontrou uma garça machucada, com a asa destroçada. Por isso ela não podia voar e buscar alimento: isto a deixou muito fraca, à beira da morte.
            O camponês teve pena da garça, cuidou de sua asinha e pacientemente colocou em seu bico algumas sementes. Sua bondade a livrou da morte e quando ela pôde voar, o camponês a soltou.
            Alguns dias depois, uma mulher adorável apareceu em sua casa e pediu que lhe desse abrigo por uma noite. O camponês, por ser bom, não negaria esta caridade a qualquer pessoa, mas a beleza da mulher fez com que ele acreditasse que deixá-la dormir em sua pobre cabana era realmente uma honra. Os dois se apaixonaram e se casaram.
            A noiva era delicada, atenciosa e tinha tanta disposição para o trabalho quanto era bonita, e assim eles viviam muito felizes. Mas para o camponês, que já tinha muita dificuldade em viver sozinho, ficou muito difícil cobrir as despesas que sua nova vida de casado lhe trazia.
            Preocupada com esta situação, a esposa disse ao marido que produziria um tecido especial (tecer era um trabalho comum para as mulheres nessa época). Ele poderia vendê-lo para ganhar dinheiro, mas ela alertou que precisaria fazer seu trabalho em segredo, e que ninguém, nem mesmo ele, seu marido, poderia vê-la tecer.
            O homem construiu uma outra pequena cabana nos fundos de sua casa e lá ela trabalhou, trancada, durante três dias. O marido só ouvia o som do tear batendo, e a curiosidade e a saudade que tinha de sua bela mulher fazia com que estes dias demorassem muito para passar.
            Quando o som de tecelagem parou, ela saiu com um tecido muito bonito, de textura delicada, brilhante e com desenhos exóticos. A tecelã lhe deu o nome de “mil penas de Tsuru”.
            Ele levou o tecido para a cidade. Os comerciantes ficaram surpreendidos e lutaram entre si para consegui-lo. O vendedor pagou com muitas moedas de ouro por ele. O pobre homem não podia acreditar que tão de repente a sorte começasse a lhe sorrir.
            Desde então, a esposa passou a trabalhar no valioso tecido outras vezes. O casal podia, com o fruto da venda, viver em conforto. A mulher, porém, tornava-se dia após dia mais magra.
Um dia, ela disse que não poderia tecer por um bom tempo. Ela estava muito cansada. Seus ossos lhe doíam e a fraqueza quase a impedia de ficar em pé.
            O camponês a amava muito e acreditava naquilo que ela dizia, porém tinha experimentado a cobiça e, como havia contraído algumas dívidas na cidade, pediu para que ela tecesse somente por mais uma vez. No princípio ela não aceitou, mas perante a insistência do marido, cedeu e começou a tecer novamente.
            Desta vez ela não saiu no terceiro dia, como era de costume. E o homem ficou preocupado. Mais três dias se passaram sem que ela aparecesse. E isso começou a deixar o marido desesperado.
            No sétimo dia, sem saber mais o que fazer, ele quebrou sua promessa, espiando o serviço de tecelagem que ela fazia.
            Para a sua surpresa, não era sua mulher que estava tecendo. Arqueada sobre o tear encontrava-se uma garça, muito parecida com aquela que o camponês havia curado.
            O homem mal pôde dormir à noite, pensando o que teria acontecido com a mulher que amava. Amaldiçoava-se por ter sido insaciável e praticamente ter obrigado a sua querida esposa a  tecer mais uma vez.
            Na manhã seguinte, a porta da cabaninha se abriu e o camponês com o coração aos saltos fixou seus olhos na porta, esperançoso em ver sua esposa sair dela com vida.
            A mulher saiu da cabana com profundas olheiras, trazendo o último tecido nas mãos trêmulas. Entregou-o para o marido e disse: _Agora preciso voltar, você viu minha verdadeira forma, assim eu não posso ficar mais com você!

            Então, ela se transformou em uma garça e voou, deixando o camponês em lágrimas.


A Lenda dos Mil Tsurus* de Origami
*Tsuru é uma ave, espécie da família dos grous (cegonhas), nativa do Japão.
Ninguém sabe desde quando existia uma lenda no Japão segundo a qual, aquele que fizesse mil tsurus de origami teria um pedido atendido pelos deuses. Mas essa lenda ficou mundialmente conhecida com a triste história de uma garotinha chamada Sadako Sasaki.
Sadako nasceu em Hiroshima e tinha apenas dois anos de idade quando os americanos lançaram a bomba atômica sobre a cidade. Ela vivia distante do epicentro da bomba e juntamente com a mãe e o irmão, saiu ilesa do ataque. Mas consta que durante a fuga, eles foram encharcados pela chuva negra (radioativa) que caiu sobre Hiroshima ao longo daquele dia fatídico.
Retomando suas vidas após o término da guerra, Sadako e sua família viviam normalmente e ela era uma garota aparentemente saudável até completar doze anos de idade. Em janeiro de 1955, durante uma aula de educação física, Sadako, que adorava corridas, sentiu-se mal, com tonturas. Os dias se passaram e novamente o mal estar fez com que ela caísse no chão, sem sentidos. Socorrida e levada a um hospital, depois de alguns dias surgiram marcas escuras em seu corpo e o diagnóstico foi de leucemia, doença que já estava matando outras crianças expostas à bomba. Na época a leucemia era até chamada de "doença da bomba atômica". Ela foi internada em fevereiro de 1955, recebendo a previsão de sobrevida de apenas 1 ano.
Em agosto desse mesmo ano, sua melhor amiga, Chizuko Hamamoto foi visitá-la no hospital. Chizuko fez uma dobradura de tsuru e presenteou Sadako, contando-lhe a lenda dos mil tsurus de origami.
Sadako decidiu fazer os mil tsurus, desejando a sua recuperação. Mas a doença avançava rapidamente e Sadako cada vez mais debilitada, prosseguia dobrando lentamente os pássaros, sem mostrar-se zangada e sem entregar-se.
Em dado momento Sadako compreendeu que sua doença era fruto da guerra e mais do que desejar apenas a sua própria cura, ela desejou a paz para toda a humanidade, para que nenhuma criança mais sofresse pelas guerras. Ela disse sobre os tsurus: "Eu escreverei PAZ em suas asas e você voará o mundo inteiro".
Por fim, na manhã de 25 de Outubro de 1955, Sadako montou seu último tsuru e faleceu, amparada por sua família. Ela não conseguira completar os mil origamis, fizera 644. Mas seu exemplo tocou profundamente seus colegas de classe e estes dobraram os tsurus que faltavam para que fossem enterrados com ela.
Tristes e sensibilizados, os colegas decidiram fazer algo por Sadako e por tantas outras crianças. Formaram uma associação e iniciaram uma campanha para construir um monumento em memória à Sadako e à todas as crianças mortas e feridas pela guerra. Com doações de alunos de cerca de 3100 escolas japonesas e de mais nove países, em 1958, foi erguido em Hiroshima o MONUMENTO DAS CRIANÇAS À PAZ, também conhecido como Torre dos Tsurus, no Parque da Paz.
O monumento de granito simboliza o Monte Horai, local mitológico, onde os orientais acreditam que vivem os Espíritos. No topo do monte está a jovem Sadako segurando um tsuru em seus braços estendidos. Na base do monumento estão gravadas as seguintes palavras:
"Este é nosso grito,
Esta é nossa oração:,
PAZ NO MUNDO"

Todos os anos, milhares e milhares de tsurus de papel colorido são enviados de toda parte do Japão e do mundo, num gesto de carinho que demonstra também a preocupação das crianças e o poder delas de trabalhar por uma causa justa.
Certamente foi doloroso para Sadako aceitar a própria morte com apenas doze anos de idade, mas deixou um exemplo para a posteridade, num gesto poderoso de devoção e amor ao próximo. Que as crianças do mundo todo desejem pacificamente o mesmo que Sadako: um mundo melhor, sem guerras.
Fontes:
www.nte-jgs.rct-sc.br
www.en.wikipedia.org
www.wiki.answers.com

Colher de Garrafa Pet

Gostei !!


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Ponto Atras

Bordado feito usando ponto atrás

Essa dica eu tirei do site Vila do Artesão.
Eles também tem fan page no Facebook.

Tenho uma encharpe que quero bordar faz tempo, vou tentar este ponto.

Ponto atrás é usado tanto em bordados livres quanto em bordados a fios contados. É parte importante dos bordados em Ponto Cruz e Blackwork –Pontos usados em vários tipos de bordados

O ponto atrás é usado para contornar e traçar linhas de um desenho. Muito usado nos bordados feitos junto com o Patchwork. É o ponto mais adequado para bordar letras, particularmente quando são muito pequenas e cheias de curvas e ângulos. Pode ser usado também como base para uma grande variedade de outros pontos.


Amostra aula de ponto atrásPode usar um ou mais fios.
Observem na amostra ao lado a diferença nos resultados:
1 – Fio usado foi Coton Perlé 8 cor 321. Coton Perlé é a linha de “novelinho”
2 – 3 fios de Mouliné DMC 115
3 – 2 fios de Mouliné DMC 115
4 – 1 fio de Mouliné DMC 115
5 – Alternando dois traços com 2 fios e 1 com 1 fio
6 – Tudo com 2 fios de Mouliné
Amostra do ponto atrás usando fios diferentes

Materiais usados: Agulha de ponta, fio Mouliné, fio Perlé 8, bastidor, tesoura.
Eu usei agulha Chenille 28 e 26, Linha Mouliné DMC cor 115 (mesclado) e Coton Perlé 8 cor 321, Bastidor Tension Hoop 5″ (plástico). Meu risco foi impresso em algodão cru.
Materiais de bordado separados para iniciar

Para o começo vamos usar 2 fios de linha Mouliné, que é formada por um cordão de seis fios.
Deve-se separar apenas 1 fio de cada vez, até tirar os fios necessários para o projeto. Se o número a ser usado for par, dobrar ao meio,de modo a poder usar a argolinha da dobra para arrematar (vamos aprender mais abaixo). Não dobrar se for usar fios multicoloridos.
Com apenas 1 fio, ou sem dobrar deve-se usar arremate posterior (também veremos mais abaixo).
Bordar com fios multicoloridos ou mesclados requer o uso de técnicas específicas, para evitar duas cores diferentes no mesmo ponto, exceto, é claro, quando se pretende conseguir exatamente este efeito. O modo mais fácil de usar estes fios é cortar toda a meada em pedaços de 60 a 70 cm. Separar, sempre um de cada vez, os fios a serem usados. Atenção redobrada para garantir a continuidade das cores.

Como escolher a agulha do bordadoA escolha da agulha a ser usada em um bordado deve considerar o tipo de tecido e o tipo de bordado, os fios a serem usados e o efeito a ser obtido.
Um bordado de superfície exige agulhas de ponta, tamanho médio e calibre adequado à grossura do tecido.
A maior parte dos tecidos fica bem com uma agulha de bordar calibre 9.

Atenção: o uso do bastidor é obrigatório e faz um bem enorme para a qualidade do seu trabalho!
O ponto é muito simples, confira no esquema abaixo da esquerda para a direita:
Puxar a agulha na linha do desenho (1) e fazer o ponto para trás (2).
Puxar a agulha novamente pouco à frente do ponto (3), fazer outro para trás inserindo a agulha no lugar de onde saiu o primeiro ponto (4) que é o mesmo lugar de(1). Seguir adiante.
Confira o esquema do ponto atrás
Manter uma boa tensão – nada de pontos frouxos! Não apertar a ponto de deformar o tecido, mas dar um ajuste que seja suficiente para que a agulha encontre o “buraquinho” do ponto anterior.Mais um diagrama do ponto atrás
O tamanho é importante, pontos muito grandes tendem a ser pouco graciosos e pontos muito pequenos dão a impressão de “mastigar” o tecido. Mas, o mais importante de tudo é manter a regularidades dos pontos.

Mantenha a regularidade em pontos e tensão

Como fazer o arremate posterior

Insira a agulha distante do inícioPara começar com arremate posterior entrar com a agulha em local distante daquele em que o ponto vai ser iniciado…
… deixando um bom pedaço de fio “sobrando”. Deixe uma sobra de fio para trás
Dê o primeiro ponto Depois iniciar o ponto normalmente.

Observem abaixo que a agulha entra exatamente no mesmo local em que o ponto anterior começou.
Iniciando o ponto seguinteFinalizando o ponto


Como arrematar o ponto do início


Lembram que no início ficou uma sobra de linha para trás? Vejam como vamos arremata-la.
Comece puxando o fio para o avesso… Puxe a linha para o avesso

… coloque na agulha e entrelace nos pontos já bordados, fazendo um vai e vem com a linha. Observe:
Retorne o fio para o lado anteriorPasse o fio para o outro ladoPonha a sobra de linha na agulha

Faça esse vai e vem no máximo 5 vezes.
Corte a sobra do fio desse arremateCorte as sobras depois de feito o arremate.

Todos os arremates de fio são feitos desta maneira, sempre entrelaçando pelos pontos dados, nunca enrolando a linha sobre os pontos ou dando nós.
O arremate posterior é usado quando não temos a “argolinha” que é formada quando se usa o fio dobrado ao meio.

Como fazer o arremate da argolinha

Tire apenas 1 fio de linha da meada, com o dobro do tamanho desejado e dobre ao meio. Passe as duas pontas pela agulha.Dobre o fio ao meio e passe pela agulha
Saia com a agulha do avesso para o direitoSaia com a agulha do avesso para o direito, no local do ponto…
…deixando a argolinha no avesso. Fazer o ponto e passar a agulha para o avesso.Deixe a argolinha do avesso
Passe a linha pela argolaPasse a agulha por dentro da argolinha…
… prendendo o fio. Pronto, ele está arrematado.Puxe a linha para firmar a argolinha
Continue o bordado normalmenteContinue a fazer os pontos normalmente.

Como colocar outro fio no bordado


O fio na agulha acabou, o que fazer?
Deixe a ponta do fio que está acabando bem visível, no direito do trabalho, de modo a não perder de vista o local em que o novo fio deve sair para continuar o trabalho.Como trocar de fio durante o bordado
Saia com o outro fio no mesmo ponto onde o anterior terminouSaia com o próximo fio exatamente no mesmo lugar em que está o fio a ser finalizado.
Isto é muito importante: alguns pontos ficam muito feios se a troca da linha não é feita corretamente.
Continue a fazer os pontos do bordado normalmente e arremate os fios no fim do trabalho conforme a técnica explicada no início.Continue seu bordado normalmente

Como bordar uma quina ou virar em ângulo reto

Como bordar uma quina
Continue a trabalhar sem alterar o andamento de entrar para trás e sair na frente da linha, mesmo virando a quina.
Não tem segredo.
Fica um pequeno ponto diagonal no lado do avesso.Avesso da quina bordada

Dicas finais

Verso do ponto atrásO avesso do ponto atrás é o ponto haste, que fica parecendo um cordão, mais grosso que o direito. Assim todo cuidado na hora de arrematar; evitar fazer mais que um arremate no mesmo lugar.

O arremate entrelaça cerca de 5 pontos, isto é suficiente. Evite atravessar grandes espaços, isto fragiliza o trabalho e pode prejudicar o direito do trabalho. É melhor atravessar pequenos espaços do que arrematar várias vezes.

A primeira coisa a fazer para ter um bom avesso é fazer um bom bordado no direito. E não ficar com “Síndrome de Avesso”. Esta é uma doença impeditiva, causadora de danos consideráveis.Avesso do trabalho pronto

Ao que parece, o conceito de que a qualidade de um bordado deve ser medida pelo avesso, tem muitos adeptos, particularmente entre as pessoas que não bordam.
A prioridade deve ser sempre o direito do trabalho. Um trabalho cujo direito está bem feito tem, necessariamente, o melhor avesso possível, caso contrário o direito também não estaria bom.

Bordando o ponto atrás com caprichoIsto conclui a nossa aula sobre ponto atrás.
Por favor, escolham seus fios, preparem essa etapa, e lembrem-se que vamos fazer um projeto depois com tudo o que está sendo bordado nestas aulas.

Outros tutoriais podem ser encontrados no blog,  Ofício da Agulha.
A peça foi bordada por Monica Moura.

Organizador com Caixas Tetra Pack

sábado, 4 de agosto de 2012